Eritropoiese: formação da hemácia e a relação no diagnóstico de anemias

Título: Células sanguíneas (Microscopia eletrônica) | Autor: Diego Pulzatto Cury | Descrição: Imagem de microscopia eletrônica de varredura de células sanguíneas no interior de um vaso do tendão calcâneo de rato. Equipamento: MEV JEOL Neoscope JCM-5000 da Central Analítica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo. Aumento de 1.000x

A eritropoiese é o processo de formação e maturação das hemácias na medula óssea. Ela envolve desde a célula-tronco até a hemácia madura circulante. Entender esse processo é o que permite diferenciar, no hemograma, uma anemia regenerativa de uma arregenerativa.

Tudo começa com uma célula-tronco hematopoética pluripotente. Ela pode seguir diferentes caminhos, mas quando estimulada por IL-3, fatores estimuladores de colônia e eritropoetina (EPO), ela se diferencia na linhagem mieloide e, posteriormente, na linhagem eritroide.

A eritropoetina é o principal estímulo final, liberada em resposta à hipóxia.

A linhagem eritroide segue uma sequência organizada:

Rubriblasto → Pró-rubriblasto → Rubrícito basofílico → Rubrícito policromático → Metarrubrícito → Reticulócito → Hemácia madura

O que muda ao longo dessa sequência:

↓ tamanho celular
↓ atividade nuclear
↓ quantidade de DNA
↑ produção de hemoglobina

A etapa mais importante da eritropoiese é a transição de metarrubrícito para reticulócito. Nesse momento ocorre a enucleação (perda do núcleo), a interrupção da divisão celular e o início da fase funcional da célula. O reticulócito é, portanto, a hemácia jovem. Ainda possui RNA residual, é maior que a hemácia madura e reflete a atividade da medula óssea.

Ou seja, na prática, é o principal marcador de resposta medular.

Quando há perda ou destruição de hemácias, como em casos de hemorragia ou hemólise, a hipóxia estimula a produção de eritropoetina. Se a medula óssea ainda tem capacidade de resposta, ela aumenta a eritropoiese e passa a liberar células mais jovens na circulação.

O resultado no hemograma é:

• aumento de reticulócitos (reticulocitose)
• presença de células maiores (anisocitose)
• variação de coloração (policromasia)

Esse conjunto caracteriza uma anemia regenerativa, indicando que a medula está respondendo adequadamente.

Por outro lado, quando não há aumento de reticulócitos, mesmo diante de anemia, classificamos como anemia arregenerativa.

Na prática da medicina veterinária, as causas mais comuns estão relacionadas a:

• doença renal, com redução da produção de eritropoetina
• comprometimento da função medular

Deficiências de ferro, vitamina B12 ou folato podem causar esse quadro, mas são menos frequentes na rotina clínica.

Portanto, as características das hemácias refletem diretamente a resposta da medula. Hemácias maiores, com variação de tamanho e coloração, indicam presença de células jovens na circulação e, portanto, regeneração medular. Já hemácias mais uniformes, sem aumento de reticulócitos, indicam ausência de resposta, sugerindo um problema na produção.

Na prática, o tamanho e a coloração das hemácias ajudam a responder a principal pergunta diante de uma anemia: a medula está reagindo ou não?