Quando tudo começou…
Eu ainda me lembro da primeira vez em que levei minha cachorrinha Dolly ao veterinário.
Eu tinha 15 anos e algo dentro de mim soube, naquele instante, que era ali que eu queria estar. Naquele consultório veterinário, entre olhares que curam e mãos que acolhem, nasceu o meu sonho de fazer Medicina Veterinária.
Escolher a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo, a FMVZ-USP, não foi apenas uma decisão. Foi uma empreitada longa e de muitos sonhos. Eu queria estudar em uma das melhores faculdades de Medicina Veterinária do Brasil, queria entender a ciência com profundidade, queria ser capaz de olhar o paciente e enxergar mais do que a doença. Queria compreender a vida.
Foram meses de cursinho pré-vestibular, dias que começavam com o sol e terminavam de madrugada, cadernos abertos, livros riscados e um coração insistente.
Estudei de doze a quinze horas por dia, durante um ano e meio, para ser aprovada na Fuvest e conquistar uma vaga em Medicina Veterinária na USP. Quando o desânimo aparecia, e ele sempre aparece de mansinho, eu fechava os olhos e imaginava a Cidade Universitária. Via os corredores, o verde das árvores e lembrava das histórias que minha mãe contava com brilho nos olhos sobre o tempo em que estudou Odontologia na USP. Era isso que me fazia continuar: o desejo de um dia viver a minha própria história naquele mesmo lugar.
Os dias de vestibular foram uma mistura de ansiedade e esperança. O coração na mão, o frio na barriga, a sensação de que era a hora de mostrar tudo o que havia estudado, de dar o meu melhor e entregar a Deus o que somente Ele poderia fazer por mim. Foram dois meses árduos de provas quase todos os fins de semana, uma verdadeira odisseia de resistência e fé.
E então vieram os gabaritos.
A cada divulgação, a esperança crescia, o sonho parecia mais próximo, e quando o resultado final saiu… nossa… choro e emoção me definiam.
Eu havia conseguido!
Meu nome estava entre os primeiros colocados nas seis melhores faculdades públicas de Medicina Veterinária do país: USP, Unesp, UEL, Universidade Federal de Lavras, Universidade Federal de Viçosa e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Meus pais e meus avós quase não cabiam em si de orgulho… e eu também. Consigo ver como em uma fotografia os rostos enrugadinhos dos meus avós cheios de lágrimas porque a Tata tinha conseguido passar no vestibular. Logo eles, tão humildes, minha avó costureira e o avô marceneiro, já tinha vivido o orgulho de ver as duas filhas na USP, agora viam a neta dar este orgulho a eles…
Lembro-me do primeiro dia de aula na FMVZ-USP… o primeiro circular que peguei dentro da Cidade Universitária, o coração acelerado, o frio na barriga. A primeira refeição no Bandejão, a primeira sala de aula, a primeira vez que me perdi entre as estantes da biblioteca da USP…
Era um sonho sendo vivido em detalhes, dia após dia.
As noites de violão e luar com os colegas, as risadas que ecoavam pelos alojamentos, as histórias que só quem viveu aquele tempo sabe o quanto marcaram.
Minha turma de Medicina Veterinária era unida, verdadeira, e havia entre nós um sentimento bonito de cuidado e amizade.
Hoje, quando fecho os olhos, tudo volta.
O som dos ônibus, o cheiro da chuva na Cidade Universitária, o toque das botas na terra de Pirassununga.
Foi ali que começou tudo…
Foi ali que aprendi que ser médica veterinária não era apenas uma profissão… era o meu destino.